Então, a primeira porta. Foi aquela chance
que os meus olhos contemplaram por alguns instantes, e não pude ignorar. Havia
mais palavras nos meus olhos, do que em qualquer livro já escrito. Pensava que,
se eu abrisse aquela porta, o mundo inteiro estaria do outro lado, pronto a me
receber. Meus olhos brilhavam de contemplação. E achava que assim, fácil assim,
tudo seria dado a mim. Então, sem muito pensar, eis que abro a porta, e não há
nenhum mundo à minha espera. Há apenas um reflexo dos meus próprios pensamentos,
um espelho da minha própria imaginação. Foi quando vi na imagem dos meus
próprios pensamentos, um autorretrato de quem eu era. Uma imagem da minha
própria mediocridade. Havia menos em mim, do que em qualquer livro de bolso já
escrito.
Trecho do meu novo livro.

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