domingo, 18 de agosto de 2013



    Então, a primeira porta. Foi aquela chance que os meus olhos contemplaram por alguns instantes, e não pude ignorar. Havia mais palavras nos meus olhos, do que em qualquer livro já escrito. Pensava que, se eu abrisse aquela porta, o mundo inteiro estaria do outro lado, pronto a me receber. Meus olhos brilhavam de contemplação. E achava que assim, fácil assim, tudo seria dado a mim. Então, sem muito pensar, eis que abro a porta, e não há nenhum mundo à minha espera. Há apenas um reflexo dos meus próprios pensamentos, um espelho da minha própria imaginação. Foi quando vi na imagem dos meus próprios pensamentos, um autorretrato de quem eu era. Uma imagem da minha própria mediocridade. Havia menos em mim, do que em qualquer livro de bolso já escrito. 

Trecho do meu novo livro.


domingo, 4 de agosto de 2013


    Ao que tudo indica, mais lições eu aprendi. E somadas as inúmeras vezes em que parei e fiz um balanço de tudo, me dei conta de que está quase tudo certo. Só que eu não estou confiando no caminho. E acho que também não estou me sentindo seguro como eu gostaria e preciso estar. Não, não é insegurança em mim. 

domingo, 7 de abril de 2013

Tempo, tempo, tempo




E gastei dias e dias da minha vida, tentando provar a mim mesmo,
que eu conseguiria sozinho. E me desesperei ao ver que o tempo
havia passado, e me perguntei se valeu a pena. Eu não sei.
Talvez a vida tivesse passado afinal. E enquanto eu contava os dias,
talvez tenha esquecido de vivê-los.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Amar




Amor é feito de Liberdade. 

É como ter todos os dias, muitas outras opções, e ainda assim
fazer a mesma livre escolha.

(Não lembro a autoria)

domingo, 24 de março de 2013

Marcas




Não gosto de pensar em despedidas. Tem pessoas, que nunca se consegue despedir totalmente. Aquela que quando vai, fica impregnada na sua roupa, na sua casa, nos armários, no banheiro, na sua memória, nos seus sonhos... Tem gente que quando vai embora, leva consigo um pouco da gente. Fica faltando um pedacinho, e não somos mais como antes. Nunca mais. E a saudade é pior do que morte. Tem gente que quando vai embora, deixa marcas no tempo.

Proteção




(...)
Quem me dera
poder renegar-me
e renascer!
Renascer de olhos enxutos
e de coração frio.
Com a mão estendida
traçar um círculo;
nele me sentar e dele ver o mundo...
Círculo
que eu própria alargasse,
ou reduzisse...
Ó meu sonhado,
desejado
e nunca alcançado
campo de paz,
de conformação,
e de senhorio!

Irene Lisboa, "Um dia e outro dia...outono havias de vir",
 vol I - poesia I, Editorial Presença, p.233 (copiado do blog A CASA IMPROVÁVEL)

A fuga




Que vontade de correr. Quando a gente corre, sente o corpo todo mover-se, os músculos se articulando, o ar nos pulmões, o impacto dos pés no solo, o vento no rosto... Traz uma sensação de estar vivo. Vontade de correr numa dessas manhãs frias, onde o ar é agradável, o sol brando não incomoda, nem a luz ofusca a visão. Vontade de correr. Até deixar tudo pra traz, a idade, os sonhos, os amores perdidos, as dificuldades... Dizem que não se não tivermos sonhos, estamos mortos. Acho que todos morrem os sonhadores e os que não têm um sonho sequer. A diferença é que, os sonhadores tem a falsa impressão de terem vivido melhor, porque sonharam. Eu tenho sonhos. Só não espero por eles. Não mais. Assim é mais fácil. Ou covardia. Tanto faz.

Confusão




Confusão. É quando a cabeça trabalha sem pausa. Quando os sonhos se escondem e ficam apenas os fantasmas girando em torno de mim. Um caos que inicia quando eu paro de sorrir. Quando a cabeça carregada de pensamentos deita sobre um travesseiro e ainda continua ouvindo as vozes discutindo lá dentro. Quão particular é, a escuridão dos meus olhos... E tentar limpar a mente do barulho que ecoa no meu crânio tornou-se tarefa difícil. Como se meu cérebro fosse uma casa revirada, ou uma discoteca tocando de tudo.

O caminhar



No chão a certeza do caminhar.
Andar de braços abertos esperando o vento na contramão.
Nas costas a mochila com suas lembranças.
A água que cai molhando o caminho não faz recuar.
Nem mesmo A febre dos tempos difíceis intimida a jornada.
Porque não há nada que faça valer a pena ficar inerte.
Não com tanto chão pela frente.
E no caminho, ficam os fracos que desistiram de caminhar.
E eles olham com dificuldade para a jornada dos que seguem,
E comentam entre si: "Não vamos conseguir".
Talvez não consiga. Mas há a certeza de que, se não conseguir chegar,
Há de valer a pena ao menos, o caminhar.